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domingo, 25 de abril de 2010

LP Metamorphosis - The Rolling Stones

Depois de uma sessão de discos do movimento psicodélico, nada como voltar com um disco da maior banda de rock de todos os tempos, que terminou virando lenda, por não constar da discografia oficial dos Rolling Stones. Vendido à época como um disco contendo 16 músicas inéditas do grupo, apesar de serem sobras de estúdio que nunca tinham sido lançadas anteriormente, ficando à margem, virando peça dos aficionados dos pedras rolantes. Para se ter uma ideia de como este disco ficou escanteado, só recentemente foi lançado em CD, o que tornou por muito tempo o LP numa raridade disputada a tapas pelos fãs do grupo.

Apesar de conter sobras de estúdio, o disco é puro rock’n’roll bem ao estilo dos RS, praticamente composto por composições da dupla Mick Jagger / Keith Richard, há pelo menos uma curiosidade, a canção “I’D Much rather be with the boys” tem a assinatura de Andrew Oldham, produtor dos RS com Richard, é, Mick não permitiria ser lançado em disco oficial do grupo.

O lado 1 começa com a ótima “Out of time” com sua sessão de cordas e um balanço incrível, pura soul music, a guitarra é substituída pelo violão que se integra as cordas, uma das grandes músicas dos “rebeldes” ingleses. Segue-se “Don’t lie to me” com um piano anos cinquenta na introdução e cadência musical, homenagem aos grandes mestres fundadores do rock. “Somethings just stick in your mind” com uma introdução no violão numa levada folk, para amenizar os ânimos. “Each and everyday of the year” com ares da música cigana, com castanholas e tudo, segue num ritmo mais calmo, o trompete ao fundo reforça o ritmo cigano. “Heart of stone” é um blues como só Mick sabe cantar, bem ao estilo stoneano, uma das melhores do disco, emoção e prazer puros, em seguida a já citada “I’D Much...” sem a parceria de Jagger, lembra o estilo dos grupos vocais dos anos 60. “Sleepy city” remete a sonoridade inicial do grupo, mesmo que menos acelerada, a introdução de sons de sinos no decorrer da música é o diferencial, “We’re wastin’ time” deve ter sido sobra da sobra, não acrescenta nada, para fechar o lado 1, “Try a little harder” com o pandeiro ditando o ritmo, dando sustância a este “folk rock”.

O Lado 2 começa com uma composição de Stevie Wonder & Cia, da turma da Motown, “I don’t know why”, uma soul music para arrasar, os RS foram os branquelos com mais alma negra de que se têm notícias, os caras sabiam interpretar como ninguém, um verdadeiro petardo sonoro. “If you let me” mais um “folk rock” ao estilo “Crosby, Stills, Nash & Young”, prova que eles dominavam todos os estilos. “Jiving sister Fanny” inicia com mais um dos grandes riffs de Keith, se estivesse na discografia oficial, com certeza teria feito grande sucesso, não dá para entender como uma canção como esta, com todo o apelo pop entranhado, ficou de fora dos discos oficiais, o bom e velho Keith estraçalha com sua guitarra, a próxima é uma composição de Billy Wyman, “Downtown Suzie” um esquisito blue, levado ao violão, palmas e coro, fugindo totalmente do estilo stoneano, é compreensível que tenha ficado de fora, mas não deixa de ser interessante. “Family” uma soturna balada, também fora dos padrões dos Stones, tendo como base principal o violão e piano. “Memo from turner” com uma guitarra arrepiante do grande Keith e Mick com uma ótima interpretação, fazem este acelerado blue se juntar as melhores do disco. Para fechar com chave de ouro “I’m going down” com mais uma vez Keith dominando tudo com sua guitarra.

Mesmo sendo sobras de estúdio, é mais um grande disco da maior banda de rock’n’roll de todos os tempos. Segue abaixo, foto da contra capa do disco.




Ano de lançamento: 1975
Ano de aquisição: 1976

Nota: Lembro-me que comprei este disco como realmente sendo um lançamento oficial, ainda iniciado dos Rolling Stones, as informações à época eram escassas, não havia internet, e as gravadoras faziam de tudo para vender tudo como novidade. Confesso que por muitos anos fiquei na dúvida se era realmente um disco oficial ou não, até verificar, muito tempo depois que ele não fazia parte da discografia oficial dos Stones, talvez por isso tenha deixado de lado da minha coleção. Só vim a perceber que tinha nas mãos uma raridade, quando um amigo de um amigo meu, perguntou se eu tinha este disco, e com a maior naturalidade do mundo, respondi que sim, este cara, que era maníaco pelos Stones, fez um estardalhaço tão grande, pois há anos ele tentava descobrir alguém que possuísse esta raridade, ele estava se correspondendo, nos primórdios da internet, tentando conseguir com alguém do Japão, e eu aqui, praticamente do lado dele com o disco. Das duas uma, ou ele conhecia pouca gente, ou este disco era uma grande raridade mesmo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

LP e CD Aftermath - The Rolling Stones


O que mais impressiona nos discos iniciais dos Rolling Stones, além da sonoridade jovial, era o vigor de suas composições, este foi o primeiro lançamento do grupo em que todas as músicas foram compostas pela dupla Mick Jagger e Keith Richards e convenhamos é de uma unidade impactante, mesmo quando em meio ao som vigoroso, entra baladas espetaculares como “Lady Jane” com seu solo de harpiscord de fazer você levitar em conjunto com a voz suave de Mick, o que a torna uma das mais bonitas baladas da história do rock, que o grupo canta até hoje em seus shows. O estilo inconfundível dos Stones começava a tomar forma, o que pode ser visto mesmo em músicas pouco conhecidas como a ótima “Doncha Bother me”, onde a mistura de blues e rock é perfeita, inclusive com solos de harmônica de Mick, merecia uma melhor atenção.

Este é um álbum com poucos clássicos stoneanos, “Under my thumb” que dispensa comentários e a já citada “Lady Jane”, mas recheado de canções com um alto padrão musical, o que demonstrava a excelência dos rivais dos rapazes de Liverpool, principalmente porque ao inverso dos Fab four, o som deles era mais cru, mais sujo, com pose de rebeldes.

Foi neste disco que os Stones começaram a experimentar novos instrumentos, o piano na introdução de “Flight 505”, outra pouco conhecida, era pouco usual no som deles. Há canções mais conhecidas como “Take it or leave it” e Mother’s Little Helper” e coisas como “Think” que os “muderninhos” de hoje adorariam fazer se tivessem competência para tal.

Mais um disco que vem se somar na prova de que esta realmente é a maior banda de rock de todos os tempos, basta escutar desde seus discos iniciais, como este, até os seus mais recentes.

No lançamento do CD uma surpresa, foi acrescida três novas canções, inclusive uma curiosidade, “Goin’ Home” com seus mais de onze minutos de duração, o que na época era incomum, devido à quase obrigação mercadológica de músicas com a duração máxima de três minutos, nada muito relevante. As outras duas a balançada “Out of time” digna de figurar entre as melhores do disco, e a descartável “I am waiting” que se vê agora, não fez falta no LP.

Ano de lançamento: 1966
Ano de aquisição do LP: 1976
Ano de aquisição do CD: 02/1996

domingo, 7 de março de 2010

LP The Rolling Stones Nº 2 - The Rolling Stones


Mais um da fase inicial do grupo, quando ainda contava com o "maluco beleza" do Brian Jones, é visível a jovialidade e vigor das músicas desta fase, o Brian teve uma importância fundamental para plantar a raíz do som feito pelo grupo, R&B crioulo no sangue dos branquelos, "Everybody needs somebody to love" que abre o disco é um exemplo, o batidão de guitarra e baixo é irresistível, poucos conseguiram tocar tão bem o ritmo crioulo quanto os Rolling Stones, Mick Jagger como fundo vocal para salientar a parte instrumental deu o molho necessário a este blues.

O disco segue destilando muito rock calcado no blues e R&B, a harmônica de Mick em "Down Home Girl" junto a guitarra de Brian é pura emoção. "You can't catch me" tem a assinatura de um dos grandes ídolos do grupo, Chuck Berry, particularmente para Keith Richard fonte inspiradora para seus grandes riffs, o negão realmente era demais, puro balanço, em seguida um dos clássicos do grupo "Time is on my side" que inicia arrebentando com um solo de Keith, a bateria de Charlie segura tudo e determina o ritmo. O lado A finaliza com duas composições da dupla Jagger-Richard, onde fica notório a influência do rythmy and blue americano no som do grupo, ainda longe dos grandes clássicos da dupla, era evidente a qualidade musical de ambos em compor.

O lado B, inicia com mais um rock básico a la anos 50, "Down the road apiece" balanço puro, guitarra e piano acelerados num duelo elétrico, já "Under the boardwalk" é totalmente inspirada nas canções dos grupos vocais americanos do final dos anos 50, o vocal no refrão diz tudo, apesar da inspiração, o molho dado por Charlie e Brian fazem a diferença. "I Can't be satisfied" é de mais um ídolo do grupo Muddy Waters, grande músico de blues americano, reverenciado pelos grandes grupos de rock, de uma de suas músicas foi retirado o nome que batizou o grupo. Mais uma que virou clássico "Pain in my heart" curta e bela como deve ser, recheada de ótimos solos de guitarra. Mais uma inspirada e vinda direto dos anos 50, "Off the Hook" que é também da dupla Jagger-Richard, poderia ter sido composta por qualquer um dos grupos vocais americanos, batida irresistível, Charlie comandando tudo, para finalizar, "Suzie-Q" um rock vigoroso e acelerado, mostrando a pujança dos Rolling Stones.

Rock'n'roll básico como demonstração da qualidade e potencial do som elaborado pelo grupo, que seria confirmado em futuros lançamentos e transformaria eles na maior banda de rock'n'roll do mundo.

Ano de Lançamento:1965
Ano de aquisição: 1976