Mostrando postagens com marcador Abril pro Rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Abril pro Rock. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de setembro de 2010

FESTIVAL MIMO - TOM ZÉ - 05/09/10




















Depois de levitar no Alto da Sé, assistindo ao show de McCoy Tyner (ver post anterior), desci ladeira abaixo (correndo) para chegar a tempo do outro show mais do que esperado deste quarto dia do Festival MIMO - Mostra Internacional de Música de Olinda, o sempre irreverente, polêmico e extraordinário Tom Zé, um dos mais inquetos artistas da música brasileira, ele é exemplo de vitalidade e renovação. Experimentalista, fez parte do movimento tropicalista, estudou música com a orientação teórica de Koellreuter, incorporando a sua música conceitos modernistas.

Tom Zé tem uma grande relação de amor com Recife e Olinda e a recíproca é verdadeira, foi aqui, no Festival Abril pro Rock de 1999 na sua 7ª edição que Tom Zé "renasceu" para o grande público, com sua performance irreverente e praticamente desconhecida na época, ele entrou na grade do festival como atração mediana e saiu do show, simplesmente consagrado pelo público de mais de cinco mil pessoas, ao final do show, este público gritava insistentemente e sem parar "Tom Zé! Tom Zé!" enquanto a produção já preparava o palco para a próxima atração, só depois da grande vaia e da plateia exigir sua volta, a produção deixou Tom Zé, já totalmente consagrado, voltar ao palco, então, ele exorcizou as décadas de incompreensão e maldição num discurso emocionado "Eu já fui enterrado duas vezes. Uma em 1940, porque um lado de minha família não queria que eu tivesse nascido. Outra em 1970, pelas circunstâncias comerciais do tropicalismo. Eu tinha medo que este ciclo se repetisse de 30 em 30 anos. Vocês acabaram de me salvar".

Palavras proféticas, hoje, Tom Zé é reconhecido mundialmente como um dos compositores mais inventivos da atualidade, o que pode ser comprovado nos seus discos e shows, neste, ocorrido na praça do Carmo em Olinda não foi diferente dos demais que ele já fez por estas bandas de cá, após o já longínquo ano de sua "redenção". Com uma praça totalmente lotada, um público de aproximadamente cinco mil pessoas que se expremiam para chegar o mais próximo do palco, Tom Zé fez um show irretocável, auxiliado por uma banda azeitadíssima, que o acompanha há longos anos, ele desfilou a música irreverente e inventiva que sempre fez. Inspiradíssimo, alegre, contente por estar ali, mais uma vez entregue nos braços de uma plateia que sempre lhe acolheu bem, desta vez não foi diferente, a numerosa plateia, devolvia com aplausos entusiasmados e alegria estampada nos rostos a satisfação de estar ali assistindo um grande artista que um dia já foi considerado "maldito", mas, que artista maldito é este que consegue colocar tanta gente numa praça pública e prender sua atenção até o final?. Mais uma vez ele foi ovacionado e o público exigiu sua volta, teve o "bis" do "bis" por exigência da plateia.

Lançando o seu novo disco "Pirulito da ciência", Tom Zé estava extasiado, parecia uma criança, ao final do show, tamanha a sua alegria. Brincava sempre com a plateia, enquanto mostrava suas músicas maravilhosas. Assistir a um show de Tom Zé é sempre um deleite, e quando ele está numa noite inspiradíssima, este deleite é maior ainda, mais um gol de placa da organização do Festival MIMO.

Assistir, em um mesmo dia, a Cristina Braga, Dado Villa-Lobos, McCoy Tyner e Tom Zé, e isto tudo de graça, eu só posso dizer uma coisa, "sorry, periferia".

domingo, 18 de abril de 2010

Festival Abril pro Rock 2010- 17/04/10










Mais um ano (18º) do maior festival independente do Brasil, o Abril pro Rock tenta se revigorar com uma grande grade neste dia que se denominou de mais pop, apostando suas fichas no novo, no desconhecido, como era no seu início. O ponto negativo foi o retorno do festival ao Pavilhão de eventos do Centro de Convenções de Pernambuco, um local inapropriado para a música, inóspito, feio, desconfortável e com uma péssima acústica, que por mais que tentem, nunca conseguem melhorar, é quase impossível entender o que se está cantando. O Chevrolet Hall, local dos últimos dois anos, é bem melhor acusticamente falando, parece-me que houve problemas de data, houve o show do Simply Red na sexta feira, espero que no próximo ano eles consigam voltar para lá.

Como já disse a grade deste dia era extensa, estava programado quatorze shows, iniciando as 17:30h, como já não tenho vinte anos e estava curioso para assistir ao Afrika Bambaataa, que seria um dos últimos, não cheguei no início e perdi os shows de Anjo Gabriel (PE), Mini Box Lunar (AP), Plástico Lunar (SE), Bugs (RN) e Zeca Viana (PE), nomes totalmente desconhecidos para mim, gostaria de ter visto, fica para uma próxima oportunidade.

Quando cheguei, o público ainda reduzido, talvez consequência das fortes chuvas caídas no Recife durante todo o dia, já havia iniciado o show da Vendo 147, vindo da Bahia, sem tocar Axé (ainda bem), com uma formação inusitada, duas guitarras, um baixo e uma bateria com dois bateristas, isto mesmo, dois bateristas que tocam juntos uma mesma bateria, um de frente pro outro, não há revezamento, eles chamam de "clone drum" e até que funciona bem, principalmente para o som instrumental pesado que eles tocam, sem vocalista, eles investem no virtuosismo dos seus integrantes, sem serem chatos, mostram que os dominam muito bem, o som flui agradável, rock sem pretensão, sem preciosismos, uma grata surpresa, guardem este nome.

Em um sistema non-stop (haja profissionalismo), eles engataram a próxima atração, mau deu tempo de respirar, tudo bem que é necessário agilidade entre uma atração e outra, mas não precisava ser tão ágil, podia-se esperar pelo menos uns cinco minutinhos para o ouvido descansar. A atração engatada na anterior foi o Nevilton, power trio do Paraná, que não acrescentou muito, o vocalista, o tal do Nevilton, um pouco afetado, foi prejudicado pela acústica, e só se conseguiu entender o refrão "pó, pó, pó, pó, pó, pó" que ele insistia em cantar em quase todas as músicas, já que o sistema era non-stop, essa era a hora de ir no bar pegar uma cerveja. Ponto positivo: cerveja bem gelada, ponto negativo: só tinha Nova Schin e já que só tem tu, vai tu mesmo, afinal aguentar tanta barulheira totalmente sóbrio, é dose.

O Nevilton ainda esperava pelos aplausos e uma nova engatada, começa a tocar no outro palco a banda pernambucana The River Raid, que está despontando na nova geração do circuito musical pernambucano, tocando um rock competente e cantado em inglês, o que lhe trouxe oportunidade de se apresentar com relativo sucesso no circuito alternativo americano e canadense, fez uma apresentação correta, mostrando que tem um potencial muito grande, indie rock com identidade com o rock brasileiro, no telão um clipe bem legal da música "Alright" dirigido pelo cineasta pernambucano Pedro Severien, a apresentação agradou ao já mais numeroso público.

Provavelmente por problemas técnicos, o sistema non-stop foi prejudicado, nossos ouvidos agradeceram, a bexiga também, deu tempo pro xixi e pra cerveja, surge a Plastique Noir, lá das bandas do Ceará, não deixa de ser estranho uma banda com este nome, quando se está acostumado com os bizarros nomes das bandas de forró, oriundos da terra de Fagner. Com o seu som gótico com uma levada mais soturna, serviu como uma queda de pressão em relação as três atrações anteriores, e uma "viagem" aos anos oitenta, uma apresentação que se não empolgou muito, não deixou a desejar, próprio para os fãs do Depeche Mode e The Mission.

De Alagoas veio a grata surpresa do festival, Wado, com seu samba rock cheio de malemolência, destilando sua MPB roqueira, suingada e funkeada, totalmente seguro de si, com um alto astral explícito, transformou sua apresentação numa celebração do samba em palcos roqueiros, arriscando até uma batida diferente pro samba, agariando uma legião de fãs que já cantavam suas músicas de cor, resultado dos diversos shows já realizados aqui em Recife, mais um ponto positivo do festival.

Com um som refinado e delicioso, o 3 na Massa, projeto paralelo de dois integrantes da Nação Zumbi, o baterista Pupillo e o baixista Dengue, mais o programador Rica Amabis e com a ajuda da "confraria das sedutoras", ótimas cantoras, que se revezavam no palco, fizeram uma das apresentações mais elegantes da noite, a primeira sedutora a seduzir foi a sensual Marina de La Riva que fez da romântica canção dos anos 70 "Loving you" um prazer total, seguiram-se a ela, as também ótimas e sensuais Nina Becker, Lurdes da Luz e Karine Carvalho´tornando constante o alto nível sonoro, cada qual com seu estilo, mostrando a dimensão que a MPB de qualidade pode chegar, um show para ficar registrado nos anais do festival.

Depois do requinte, nada melhor que uma música animadinha para agitar a agora já numerosa plateia, e a escolha do Instituto Mexicano Del Sonido foi acertada, capitaneado pelo piradão e agitadíssimo Camilo Lara com sua mistura de eletrônica com ritmos tradicionais, até a "Macarena" entrou no meio, fez grande parte do público rebolar, aumentando novamente a "pressão" e um bom preparo para a próxima atração. O mexicano deve mesmo ter se encantado com Recife, estava animadíssimo no palco, na certa fazendo cena para a namorada recifense, a plateia entusiasmada, agradeceu.

A atração mais esperada da noite, talvez tenha sido a decepção do festival, não totalmente, claro, afinal o cara sabe o que faz, mas a espera foi tão grande, por diversas vezes cancelada, que Afrika Bambaataa tinha que ter feito melhor, entrou reclamando do som, ficou quase estático e sem muita inspiração, mostrando uma antipatia total, apelou para o funk "Tá tudo dominado" para levantar a plateia, no restante o set list não foi dos melhores, com exceção de "Stand by me" e uma pontinha ´da sempre onipresente "Sex Machine" do extraordinário James Brown, era visível o esforço que os dois MC´s faziam para não deixar a peteca cair, acho que pelo nome dele e em respeito ao festival ele deveria ter sido mais profissional, deixou muito a desejar.

Para encerrar a maratona sonora, o acerto final, Pato Fu comandada pela docinho de coco Fernanda Takai fez um show impecável, tudo deu certo, conseguiu até afastar o cansaço de mais de sete horas ininterruptas e deixando nós brasileiros de alma lavada, depois do fiasco do show anterior. Apesar de ter tocado poucos sucessos, destilando canções menos conhecidas, a empatia com o festival do qual participa pela quarta vez, deu um certo ar de intimidade ao grupo, o que transformou sua apresentação numa leveza só, a versão correta de "Ando meio desligado" teve como resposta o público cantando junto. Apresentação irrepreensível, para quem esperava tudo de Bambaataa, adorou terminar a noite com Fernandinha.......e grupo.

O Abril pro rock na sua décima oitava edição, demonstra folego para muitas outras, para isso é necessário que o público compareça em um número maior, festival sem público não existe, o local tem que ser mudado urgentemente, as atrações são sempre muito bem escolhidas.

VIDA LONGA PARA O ABRIL PRO ROCK.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Show - Festival Quintal PE (25/04/09)




Se alguém tinha alguma dúvida sobre se a música feita em Pernambuco tinha aceitação no seu seu próprio Estado, com este festival a dúvida foi dirimida, um festival com dez bandas pernambucanas simplesmente lotou o Pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco, mais de oito mil pessoas pagaram ingressos de R$ 50,00 e R$ 25,00 (estudante - a grande maioria) para ver artistas que geralmente se apresentam de graça nos eventos da cidade, é certo que nem sempre a nata dos artistas pernambucanos estão juntas como neste festival, mas os eventos gratuitos com pelo menos um nome de peso sempre aglutinam muita gente, sucesso total.

O Festival Quintal PE, estava previsto para começar às 16:00h e com uma grade de dez bandas e a produção prometia quase doze horas de música, como não estou mais no frescor da juventude e o local não é nenhum primor em conforto, aliás, quase conforto nenhum, cheguei por volta das 19:00h, já com o show da BONSUCESSO SAMBA CLUBE iniciado, muita gente ainda do lado de fora, receosos quanto ao sucesso de público, talvez ainda decidindo se entraria ou não, afinal uma boa parte da galera vai, para além de assistir aos shows, aproveitar para paquerar ou azarar, não sei bem como se chama, os que ainda estavam lá fora perderam o swing bem balançado de Rogerman e companheiros, o estilo bem Olindense da banda já mostrava o alto astral que iria ser o festival.

A agilidade entre as apresentações das bandas em nada lembrava o Abril pro Rock, apenas um palco, e aí, tome tempo para preparação da outra banda, enquanto isso curtas metragens sobre a cultura popular Pernambucana eram apresentados, mas a galera não estava muito interessada nisso não, eles estavam a fim de ouvir uma boa música, dançar, paquerar, azarar e beijar muito e era uma galera bastante bonita e animada também e quem também estava muito animado e visivelmente emocionado e feliz era Roger de Renor espécie de mestre de cerimônia, como sempre irreverente, este incansável batalhador da cultura pernambucana mostrava toda sua felicidade em ver tanta gente num festival como este.

A próxima banda a se apresentar a EDDIE, já emtrou no palco com o jogo ganho, a plateia bem mais numerosa era constituida de fãs incondicionais da banda, e eles não decepcionaram, Fábio Trummer e companhia colocaram todo mundo para dançar e cantar sucessos como "Pode me chamar" e "Não vou embora" e a galera sabe a letra toda de cor, cantam realmente com vontade, o show todo calcado nos sucessos da banda mostraram que a EDDIE é a essência da música feita em Olinda, com seu estilo próprio personificado no título de um de seus discos "Olinda original styling" mais pernambucano impossível, um showzaço. Um fato favorável, a acústica sempre tão péssima no Centro de Convenções estava bem melhor, nenhuma maravilha, mas conseguíamos ouvir bem as músicas, ponto positivo para a produção.

Mais um intervalo, quem se acostumou com o APR, como eu, estranhou, era a pausa para o xixi (banheiros químicos péssimos) e a cerveja bem gelada que desceu redondo.

A próxima atração era o encontro inusitado e mais que esperado dos mentores do festival, o genial NANÁ VASCONCELOS com o não menos genial DJ DOLORES, projeto chamado de BLIND DATE, música da mais alta categoria, Naná com sua genial simplicidade inclusive na vestimenta, contrastava e se incorporava ao estilo a la mafioso e funkeiro americano das vestimentas de Dj Dolores e banda, e que banda, qualidade sonora acima da média, o público foi se rendendo aos poucos aquela música desconecida e terminou dançando bastante, um encontro que valeu a pena, a música agradece. É inacreditável que músicos tão geniais quanto eles tenham tanta dificuldade em gravar e lançar seus cds, o Dj Dolores está com um cd gravado que ele só conseguiu lançar até agora na Europa, aqui no Brasil nada, é uma pena.

Mais um intervalo, mais um xixi, mais algumas cervejas, um pastel até interessante, não sei se era a fome já passava das dez da noite, mais gente bonita circulando e mais uma vez a irreverência e felicidade de Roger de Renor, enquanto esperavamos aprontar o palco para a próxima atração.

CHINA entrou no palco com sua banda e como sempre elétrico cantou algumas músicas do seu repertório, depois chamou o pessoal da MOMBOJÓ para tocarem duas músicas juntos, a Mombojó é uma banda já da segunda safra da cena pernambucana, filhos do Mangue Beat, vieram para ficar e trouxeram consigo mais qualidade para se incorporar a já tão genial cena local, os meninos são realmente muito bons, o público já fiel, também canta direitinho todas as músicas, show empolgante, no final China e banda voltam ao palco para literalmente eletrizarem a platéia, a galera se esbaldou, o que me fez lembrar quando assisti pela primeira vez um show da Monbojó no APR, isso há uns oito anos atrás, não me lembro bem, eles nem eram conhecidos, o nome soava estranho e eles tocaram no palco três, mas, ali já se via a qualidade da música que faziam, o tempo só reforçou o esperado, que bom.

Mais um intervalo, mais um xixi, mais........., já se passava das 00:30h, o cansaço já começava a dar seus sinais, isso para a juventude ali presente, imagina para mim, que podia ser pai de muita gente ali, principalmente das menininhas, belas figuras, ainda faltavam três shows para o final do festival, parecia que a previsão das doze horas de show da produção ia se confirmar e todos querendo assistir a banda mais esperada a Nação Zumbi, eis que o já não tão alegre Roger, afinal ele tá bem próximo de mim na idade, anuncia acertadamente, para mim e para a grande maioria, que a próxima atração seria a Nação Zumbi, saí do meu estado de sonolência e fui assisti-los, agradecendo a produção, eu e a grande maioria presente.

"Quando a maré encher" foi a primeira música apresentada pelo NZ, e aí tudo se mostrou ao que veio, o cansaço ficou de lado e a galera extasiada pulou e dançou como nunca, o que se via não era apenas uma admiração como das bandas anteriores, era adoração pura, uma simbiose entre plateia e público, a NZ com certeza é hoje disparada (sem ufanismos) a melhor banda do rock nacional e com vários corpos de vantagem aos demais concorrentes e como tal eles se apresentaram, muito mais maduros, consientes da importância que hoje tem no cenário musical, destilaram todos os hits, inclusive da época do Chico Science, e a plateia retribuiu cantando, dançando como nunca, um show para ficar na história de Recife, não perderam a oportunidade de alfinetar a imprensa e as rádios pernambucanas que não dão importância e nem tocam a música deles.

Já era perto das 2:00h da manhã do domingo quando eles encerraram o excelente show, apesar da animação, o cansaço já tomou conta de mim em definitivo, e assim como uma grande maioria não fiquei para assistir ao show do OTTO e da ETA CARINAE, mas depois da NZ poderia ir para casa tranquilo.

O festival QUINTAL PE mostrou-se acertado, espero só que sejam mais ageis entre uma atração e outra, se bem que a galera ali presente não se importou muito com isso não, espero que haja continuidade a este festival.

domingo, 19 de abril de 2009

Show - Abril pro Rock (18/04/09)




Como faço todos os anos, este já é o décimo seguido, escolho um dos dias do festival Abril pro Rock, para ir conferir as novidades lá apresentadas, como sempre, as expectativas de bons shows sempre são confirmadas e este ano não foi diferente, o dia escolhido foi o sábado que tinha no cantor Marcelo Camelo sua atração principal, o outro dia foi o Motohead, mas aí é muito peso e prefiro a programação um pouquinho mais light, mais diversificada.

Cheguei no Chevrolet Hall, local do festival, que desde o ano passado mudou-se para lá, uma mudança acertadíssima pela produção do festival, antes era no Centro de Convenções de Pernambuco, um local inapropriado para shows, com uma acústica terrível e bastante desconfortável, era preciso muito amor ao Rock para assistir show ali, no Chevrolet Hall a acustíca melhorou um pouco, é necessário aperfeiçoar-se mais, mas pelo menos agora conseguimos entender o que os cantores estão cantando, no Centro de Convenções tinha show que você escutava apenas uma massa sonora sem conseguir distinguir nem o que os cantores cantavam nem os instrumentos.

Como ia falando, cheguei no CH, por volta das 19:30h e pelo visto o festival começou neste dia com pontualidade, pois perdi os dois primeiros shows, o THE KEITH (PE) e JOHNNY HOOKER & CANDEIAS ROCK CITY (PE), uma pena, estava curioso para conhecer a sonoridade destes dois grupos daqui de Recife, já ouvi falar neles, principalmente o Johnny Hooker, gostaria de ter assistido, fica para uma próxima, cheguei com o show do VIVENDO DO ÓCIO (BA) já começado, pelo que vi, não perdi muita coisa, duas guitarras, um baixo e bateria, apenas isso, pois é meus reis talvez vocês tenham que deixar um pouco o ócio de lado e comecem a estudar ou praticar mais, sem novidades, não empolgaram a pequena platéia presente (tomei um susto quando cheguei, parecia que seria um fiasco de público), terminado o show uma pequena pausa para a próxima atração, diferentemente do ano passado, quando não se conseguia nem respirar e já começava o outro show, eram três palcos em locais diferentes, era agilidade demais, este ano pareceu que seria diferente, pois a próxima atração usou o mesmo palco da anterior, era apenas um ledo engano.

RETROFOGUETES, também da Bahia, entrou no palco com uma vitalidade grande, guitarra, baixo e bateria, totalmente instrumental, o figurino a lá anos setenta, macacões laranjas, tipo trabalhador americano, o baixista parecia ter saído direto de Woodstock para o Abril pro Rock, também nenhuma novidade, rock instrumental de verdade foi apresentado ano passado pelo trio PATA DE ELEFANTE, uns gaúchos bons da gota serena tchê. A apresentação do Retrofoguetes prova que três bons instrumentistas somente não resolve o problema, empolgou apenas um pequeno grupo da ainda pequena platéia.

A próxima atração já foi anunciada no mesmo vapt-vupt do ano passado, a eficiência voltou ao normal e agora mais eficientepois eram dois palcos um ao lado do outro, talvez fosse interessante uma pequena pausa de uns dez minutos entre uma atração e outra, para dar uma folga aos ouvidos.

Com HEAVY TRASH (EUA) o nível melhorou e muito, este grupo é um projeto paralelo do Jon Spencer, que já se apresentou no APR há uns cinco anos atrás, com o Jon Spencer Explosion Group, uma apresentação verdadeiramente explosiva, com o HT ele veio um pouco mais calmo, mais acústico com um visual totalmente anos 50 e inspirado no grande Buddy Holly e Elvis Presley do início, as músicas com arranjos sempre lembrando as músicas feitas na decada do começo do Rock e todas sempre de qualidade, a sonoridade olhando para o passado, mas com a visão no presente, um dos destaques foi o baterista que de vez em quando precisava tirar do bolso um pentezinho de dente de elefante para conseguir acertar o que o gel dos cabelos não conseguia segurar, ele tinha no olhar a apatia de um Charles Watts e tocava tanto quanto ele, é.............., vamos dizer quase tanto quanto ele, afinal o cara é um Stone há quarenta anos e sustenta tudo lá atrás do Rolling Stones, uma lenda viva da bateria, é preciso muito para ser comparado a ele. O HT fez um show competentíssimo e empolgante, ganhou fácil a já mais numerosa platéia, música de qualidade é outra coisa.

Coube ao grupo pernambucano VOLVER a difícil tarefa de se apresentar após o HT, e quando digo logo após é poucos minutos depois, acho que menos de cinco, não seria fácil, só que a Volver já tem um público cativo que estava lá empolgados para assisti-los e os caras são realmente competentes, já tinha ouvido falar muito deles, nunca tinha assistido, e para superar música de qualidade só com música de qualidade e foi o que aconteceu, o nível continuou muito bom, com um rock muito bem tocado e algumas baladas acima da média, o Volver conquistou a platéia logo logo, tocaram uma versão de Canteiros (Fagner - Cecília Meireles) empolgante que segundo o vocalista exprime a sensação da mudança deles para São Paulo, com a música que fazem tem tudo para conquistar o resto do País, não sei porque até agora não estouraram, qualidade tem para tal.

A próxima atração veio do Mato Grosso a VANGUART que é uma das apostas do indústria fonográfica, com um cantor com ares de Bob Dylan, quando jovem, fazem uma música mais para o folk, com baladas bem balançadas, sempre com qualidade, a sua versão acelerada de "O Mar" de Dorival Caymmi, apesar de desconhecida pela maioria do público jovem, foi bem recebida e realmente ficou muito boa (Dorival com sua famosa preguiça, talvez tivesse estranhado, Dori, Danilo e Naná não), Fred 04 fez uma participação especial cantando junto com eles "LEONOR" do próprio, mostrando o respeito deles com este grande talento da música pernambucana, o show agradou ao público que já estava em bom número. Enquanto eles se apresentavam fui dar uma volta e comprar uma cerveja, afinal, como um show engata no outro , não se tem tempo para uma cerveja, só no meio do show mesmo, aliás, cerveja Nobel, só ela, ninguém merece, era a patrocinadora, o que o dinheiro não faz. Olhando a banca de cds, fui comprar o do grupo Volver por dez paus, valia a pena e vendo os outros cds, uma jovem até bonitinha, indicou a de um grupo novo daqui de Recife que nunca tinha ouvido falar, "Semente de Vulcão" ela foi tão simpática e insistiu tanto que terminou me convencendo, até porque o cd custava apenas R$ 5,00 e ela ficou toda contente e ainda foi chamar o vocalista do grupo para conhecê-lo, um meninote, espero que o gasto tenha valido a pena, depois escuto e comento.

O próximo grupo a entrar no palco foi o MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (DF) (foto) e entraram numa eletricidade de fazer inveja, isto já era umas 23:30h e ver aquela meninada correndo de um lado para o outro do palco, era de cansar qualquer um, acho que um dos requisitos para se tocar neste grupo é ser elétrico, como acho também que antes deles entrarem em cena eles devem receber no camarim uma descarga elétrica nas veias de uns 220V, 380V, sei lá acho que de uns 690V, é muita vitalidade, só que apesar do adiantado da hora a grande maioria do público, que estava longe dos 50, por isso acompanharam com a mesma empolgação dos músicos, parecia até que o dia do festival estava começando ali, a música é bastante animada, são nove integrantes ao todo, música para dançar, o vocalista nem canta tanto, mas é tão elétrico que empolga. Assisti a eles no ano passado no Rec-Beat a empolgação foi a mesma.

Depois veio o melhor show da noite, a MUNDO LIVRE S/A comemorando vinte e cinco anos de estrada, é inacreditável que um grupo tão bom e tão importante da música brasileira, responsável pela nascimento de um dos mais fortes movimentos acontecidos musicalmente no Brasil, não seja reconhecida como tal no resto do País, eles só agora depois de mais de cinco anos é que estão gravando um cd de inéditas, não dá para entender, a música da MLSA é de altíssima qualidade, as letras de Fred 04, sempre engajadas socialmente e nunca planfetárias, só encontram paralelo nas letras de um outro grande letrista Renato Russo, o show como sempre competentíssimo, apesar da platéia sempre tão solicita ao MLSA não se empolgar tanto, afinal já passava da uma da manhã do domingo para até quem tem bem menos do que 50, principalmente depois de um show do Móveis...., mas valeu a espera, um destaque foi a presença do maestro Forró numa participação especial, ele foi apresentado por Fred 04 como o músico mais rock'n'roll que conhecia, o maestro mostrou que sabe tudo de trompete, não só forró e frevo, embelezando ainda mais as duas músicas que tocou, no restante a MLSA arrazaram, um show e tanto.

A última atração da noite era a mais esperada, MARCELO CAMELO (RJ) e entrou no palco já passava das 1:30h do domingo, entrou numa sonolência só, este era o primeiro show que assisti dele na carreira solo, por isso não sei se esta malemolência é típica dele ou se antes ele contou alguma estória de ninar para sua namorada Malu Magalhães e por isso ficou meio molinho, apesar de competente, o show só empolgou aos fãs de carteirinha (que eram muitos) que cantavam todas as músicas, como se eles próprios tivessem escritos, com uma banda de feras e azeitadíssima, o show estava mais para se assistir sentado num teatro e não para se assistir em pé e como última atração de uma maratona de mais de sete horas de música, o de Lobão no ano passado nas mesmas condições foi mais empolgante. O Marcelo ainda tocou dois bis, quase dormindo, acho que ele queria mesmo era estar do lado da Malu Magalhães.

No saldo final, valeu a pena mais um ano do Abril pro Rock, a fórmula está certíssima e como sempre os produtores escolhem muito bem as atrações, falta apenas melhorar a infraestrutura no que se refere a bebida e comida, as pouquíssimas opções deixaram muito a desejar, um único fabricante de cerveja, é dose e nenhuma caipirinha é mais dose ainda, melhorar mais ainda a acústica, pois o resto foi tudo beleza.

VIDA LONGA PARA O ABRIL PRO ROCK.